Problemas de comportamento em cãesQuando o problema não é obediência.

Medo, ansiedade, reatividade, destruição. Não são teimosia nem falta de educação: são respostas a alguma coisa. Trabalhamos a causa, em tua casa, no contexto em que o comportamento aparece.

Cão descontraído no banco de trás do carro
O que costumo ver

Reconheces alguma destas situações?

Se o teu caso não está nesta lista, descreve-mo à mesma. Estes são os mais frequentes, não são os únicos.

Ansiedade de separação

Ladra, uiva ou destrói sempre que fica sozinho, mesmo por pouco tempo.

Reatividade a outros cães

Ladra, puxa ou fixa quando vê outro cão na rua, e não consegue desviar a atenção.

Medos concretos

Trovoada, foguetes, o carro, homens, escadas. Recusa, treme ou tenta fugir.

Destruição em casa

Móveis, portas, sapatos. Quase sempre quando ninguém está por perto.

Ladrar excessivo

À campainha, a quem passa, ao vizinho. Não para quando lhe pedes.

Guarda de recursos

Rosna ou endurece junto à comida, aos brinquedos ou ao sofá.

O princípio

O comportamento não é o problema. É o sintoma.

Um cão que destrói a porta quando sais não está zangado contigo. Está em pânico. Se trabalharmos só a porta, o pânico procura outra saída. Por isso a primeira coisa que faço não é corrigir, é perceber.

O processo

Como trabalhamos

01

Avaliação inicial

Vou a tua casa conhecer o cão, a família e a rotina. Observo o comportamento no contexto onde ele acontece, que raramente é o mesmo que me descrevem ao telefone.

02

Identificar a causa

Medo, frustração, excesso de energia, aprendizagem acidental. O mesmo comportamento pode ter origens diferentes, e o plano muda conforme a origem.

03

Plano de modificação

Exercícios concretos, com progressão. Começamos a uma distância ou intensidade em que o teu cão ainda consegue pensar, e vamos aproximando.

04

Autonomia

Aprendes a ler os sinais e a aplicar as estratégias sozinho. O acompanhamento vai espaçando até deixar de ser preciso.

Um caso real

Onze meses de tentativas, cinco sessões

Nuno BorgesGoogle
A treinadora Inês Almeida, da Smartdogs, resolveu com sucesso, em apenas 5 sessões, um problema que se arrastava há 11 meses. Encontrei o Joca, um rafeiro, na rua e adotei-o. O Joca não conseguia entrar no carro e, durante 11 meses, tentei várias abordagens, sempre sem sucesso. (…) Na 5 sessão (última), consegui colocar o Joca dentro do carro sem recurso a comida e fazer uma viagem com ele de cerca de 55 minutos.
Métodos

O que não vamos fazer

  • Coleiras de choque, de bicos ou de estrangulamentoSuprimem o comportamento sem tocar na causa, e em casos de medo costumam agravá-lo.
  • Teoria da dominância e do cão alfaAssenta em observações de lobos em cativeiro, que o próprio investigador que as popularizou passou décadas a desmentir.
  • Confrontar o cão com aquilo que temeExpor um cão assustado ao que o assusta, à espera que se habitue, é a forma mais rápida de piorar um medo.
Dúvidas

Perguntas frequentes

Quanto tempo demora a resolver?

Depende do problema e de há quanto tempo existe. Um medo recente resolve-se mais depressa do que um hábito de anos. Na avaliação inicial consigo dar-te uma ideia realista, e prefiro dizer-te que vai demorar do que prometer-te um milagre.

O meu cão rosnou. É agressivo?

Rosnar é comunicação, não agressão. É o cão a avisar antes de escalar, e é uma coisa boa que ele o faça. O que não se deve fazer é castigá-lo por rosnar, porque o que se ensina assim é a saltar o aviso.

Ele tem vários problemas ao mesmo tempo.

É o normal. Costumam estar ligados entre si, e muitas vezes trabalhar um deles alivia os outros. Definimos a ordem na avaliação.

É necessário ser treinador certificado para trabalhar com cães em Portugal?

Em Portugal, existem requisitos específicos para o treino de cães perigosos ou potencialmente perigosos. Nestes casos, o treino obrigatório de socialização e obediência deve ser realizado por um treinador que possua o respetivo título profissional emitido pela DGAV, de acordo com o Decreto-Lei n.º 315/2009, de 29 de outubro, na sua redação atual.

Para os restantes cães, não existe uma certificação geral da DGAV obrigatória para exercer educação ou treino canino. O título profissional da DGAV está especificamente associado ao treino de cães perigosos e potencialmente perigosos previsto na legislação.

Existem naturalmente outras formações e qualificações na área da educação e comportamento canino, mas estas não devem ser confundidas com o título profissional específico emitido pela DGAV para o treino destes cães.

Para consultar a legislação e a informação oficial sobre este tema, podes consultar a DGAV.

Trabalhas com cães de raças potencialmente perigosas?

Sim, desde que não se trate de um cão com comportamento agressivo ou de um caso que exija o treino obrigatório previsto na legislação.

Posso trabalhar com cães de raças legalmente classificadas como potencialmente perigosas que apresentem dificuldades de educação e comportamento do dia a dia, desde que o acompanhamento seja adequado e seguro.

No entanto, não realizo o treino obrigatório de socialização e obediência previsto para cães perigosos ou potencialmente perigosos, uma vez que este deve ser realizado por um treinador com o respetivo título profissional emitido pela DGAV.

É também importante distinguir um cão de uma raça potencialmente perigosa de um cão que apresenta comportamento agressivo. A legislação prevê diferentes situações para a classificação de um animal como potencialmente perigoso ou perigoso, e a agressividade pode ter relevância própria nesse enquadramento.

Cada caso é avaliado individualmente, tendo sempre como prioridade a segurança do cão, da família e das restantes pessoas e animais envolvidos.

Descreve-me o que se passa.

Em duas ou três linhas. Digo-te se é caso para mim e o que faria a seguir.