Problemas de comportamento em cãesQuando o problema não é obediência.
Medo, ansiedade, reatividade, destruição. Não são teimosia nem falta de educação: são respostas a alguma coisa. Trabalhamos a causa, em tua casa, no contexto em que o comportamento aparece.

Reconheces alguma destas situações?
Se o teu caso não está nesta lista, descreve-mo à mesma. Estes são os mais frequentes, não são os únicos.
Ansiedade de separação
Ladra, uiva ou destrói sempre que fica sozinho, mesmo por pouco tempo.
Reatividade a outros cães
Ladra, puxa ou fixa quando vê outro cão na rua, e não consegue desviar a atenção.
Medos concretos
Trovoada, foguetes, o carro, homens, escadas. Recusa, treme ou tenta fugir.
Destruição em casa
Móveis, portas, sapatos. Quase sempre quando ninguém está por perto.
Ladrar excessivo
À campainha, a quem passa, ao vizinho. Não para quando lhe pedes.
Guarda de recursos
Rosna ou endurece junto à comida, aos brinquedos ou ao sofá.
O comportamento não é o problema. É o sintoma.
Um cão que destrói a porta quando sais não está zangado contigo. Está em pânico. Se trabalharmos só a porta, o pânico procura outra saída. Por isso a primeira coisa que faço não é corrigir, é perceber.
Como trabalhamos
Avaliação inicial
Vou a tua casa conhecer o cão, a família e a rotina. Observo o comportamento no contexto onde ele acontece, que raramente é o mesmo que me descrevem ao telefone.
Identificar a causa
Medo, frustração, excesso de energia, aprendizagem acidental. O mesmo comportamento pode ter origens diferentes, e o plano muda conforme a origem.
Plano de modificação
Exercícios concretos, com progressão. Começamos a uma distância ou intensidade em que o teu cão ainda consegue pensar, e vamos aproximando.
Autonomia
Aprendes a ler os sinais e a aplicar as estratégias sozinho. O acompanhamento vai espaçando até deixar de ser preciso.
Onze meses de tentativas, cinco sessões
A treinadora Inês Almeida, da Smartdogs, resolveu com sucesso, em apenas 5 sessões, um problema que se arrastava há 11 meses. Encontrei o Joca, um rafeiro, na rua e adotei-o. O Joca não conseguia entrar no carro e, durante 11 meses, tentei várias abordagens, sempre sem sucesso. (…) Na 5 sessão (última), consegui colocar o Joca dentro do carro sem recurso a comida e fazer uma viagem com ele de cerca de 55 minutos.
O que não vamos fazer
- Coleiras de choque, de bicos ou de estrangulamentoSuprimem o comportamento sem tocar na causa, e em casos de medo costumam agravá-lo.
- Teoria da dominância e do cão alfaAssenta em observações de lobos em cativeiro, que o próprio investigador que as popularizou passou décadas a desmentir.
- Confrontar o cão com aquilo que temeExpor um cão assustado ao que o assusta, à espera que se habitue, é a forma mais rápida de piorar um medo.
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora a resolver?
Depende do problema e de há quanto tempo existe. Um medo recente resolve-se mais depressa do que um hábito de anos. Na avaliação inicial consigo dar-te uma ideia realista, e prefiro dizer-te que vai demorar do que prometer-te um milagre.
O meu cão rosnou. É agressivo?
Rosnar é comunicação, não agressão. É o cão a avisar antes de escalar, e é uma coisa boa que ele o faça. O que não se deve fazer é castigá-lo por rosnar, porque o que se ensina assim é a saltar o aviso.
Ele tem vários problemas ao mesmo tempo.
É o normal. Costumam estar ligados entre si, e muitas vezes trabalhar um deles alivia os outros. Definimos a ordem na avaliação.
É necessário ser treinador certificado para trabalhar com cães em Portugal?
Em Portugal, existem requisitos específicos para o treino de cães perigosos ou potencialmente perigosos. Nestes casos, o treino obrigatório de socialização e obediência deve ser realizado por um treinador que possua o respetivo título profissional emitido pela DGAV, de acordo com o Decreto-Lei n.º 315/2009, de 29 de outubro, na sua redação atual.
Para os restantes cães, não existe uma certificação geral da DGAV obrigatória para exercer educação ou treino canino. O título profissional da DGAV está especificamente associado ao treino de cães perigosos e potencialmente perigosos previsto na legislação.
Existem naturalmente outras formações e qualificações na área da educação e comportamento canino, mas estas não devem ser confundidas com o título profissional específico emitido pela DGAV para o treino destes cães.
Para consultar a legislação e a informação oficial sobre este tema, podes consultar a DGAV.
Trabalhas com cães de raças potencialmente perigosas?
Sim, desde que não se trate de um cão com comportamento agressivo ou de um caso que exija o treino obrigatório previsto na legislação.
Posso trabalhar com cães de raças legalmente classificadas como potencialmente perigosas que apresentem dificuldades de educação e comportamento do dia a dia, desde que o acompanhamento seja adequado e seguro.
No entanto, não realizo o treino obrigatório de socialização e obediência previsto para cães perigosos ou potencialmente perigosos, uma vez que este deve ser realizado por um treinador com o respetivo título profissional emitido pela DGAV.
É também importante distinguir um cão de uma raça potencialmente perigosa de um cão que apresenta comportamento agressivo. A legislação prevê diferentes situações para a classificação de um animal como potencialmente perigoso ou perigoso, e a agressividade pode ter relevância própria nesse enquadramento.
Cada caso é avaliado individualmente, tendo sempre como prioridade a segurança do cão, da família e das restantes pessoas e animais envolvidos.
Descreve-me o que se passa.
Em duas ou três linhas. Digo-te se é caso para mim e o que faria a seguir.

